sexta-feira, 31 de julho de 2009

'românticos são bobos, poucos, loucos, desvairados, que querem ser o outro, que pensam que o outro é o paraíso, românticos são lindos, são limpos e pirados, choram com palavras/baladas, que amam sem vergonha e sem juizo, são tipo populares, vivem pelos bares, e mesmo certos vão pedir perdão, passam a noite em claro, conhecem o gosto raro de amar sem medo de outra desinlusão, essa é uma espécie em extinção!'



domingo, 26 de julho de 2009

"Gosto de aprender, gosto de me surpreender, gosto MUITO de rir, gosto de falar besteira, gosto 'tocar' teclado, gosto de tentar 'tocar' violão, gosto de video game, gosto de saber fazer um pouco de tudo, gosto de receber carinho, gosto de me zuar, gosto de tentar ser engraçada, gosto de foto, gosto de bolsa, gosto de sapato, gosto de dormir, gosto de música, gosto de filme, gosto de flertar, gosto MUITO de anime/mangá e músicas japonesas, imito algumas coisas HAHA, gosto de falar no telefone, gosto de me sentir aliviada, gosto de ser bb, gosto de ser desligada, gosto de fazer biquinho *o*, gosto de abraçar, gosto MUITO de morder, gosto de desenhar, pintar e criar, gosto da minha faculdade, e o que nela aprendo, gosto de ser preguiçosa e dengosa, gosto de ter medo, gosto de chorar, gosto de ser bipolar, gosto de estar do lado de quem me faz rir, gosto de ter alguém que eu fale alguma coisa besta e a pessoa nem ligue, gosto de acordar de madrugada e ver no celular msg fofa *-*, gosto de fazer careta e fazer os outros rirem, gosto de ser feliz, 'pirooooo' ouvindo cueio limão ou quando to no grupo de amigos HAHA, falo alto e até me altero.. HAHA, gosto de coca cola e suco de laranja, gosto de dengo, não gosto quando alguém me deixa confusa, quando alguém não sabe me amar, gosto da palavra felicidade, gosto de me empolgar, gosto MUITO de sorvete, gosto da idéia de ter um principe me esperando, gosto de não procurar o amor, afinal, amor é conseqüência da convivência, é algo lindo para ser vulgarizado, e muito forte para ser sentido rápido. (uau), gosto de casal *o*, gosto de saber que um dia alguém vai ter meu coração, e eu vou ter o coração da pessoa, gosto de pensar na idéia que meu filho vai 'pagar pau' pra mim, gosto de beijinho, não gosto quando alguém briga ou grita comigo :(, quando alguém muda :/, quando alguém é obrigado a fazer o que não quer, não gosto de ficar ansiosa, gosto de não saber o dia de amanhã, mesmo assim gosto de planejar, gosto de música clássica *-*, gosto de poemas de amor, de piadas ou cantadas, gosto de saber das coisas, não gosto de palavrão, gosto de dar liberdade, gosto de ter liberdade, gosto de sair na rua de pijama, gosto de contar minhas intimidades e ver a pessoa rindo, gosto tanto de tudo isso que faz valer a pena me doar para ver as pessoas que eu gosto felizes, aliás posso ser o que for, mas é MUITO agradavel ser desse jeito e não esperar nada em troca. (: Só me dedico ao que eu chamo de ser 'independente' e tento me superar todos os dias em relação a carreira que decidir seguir, fora isso ... O que vier junto, como amor, amigos, familia, é lucro". ♥

quarta-feira, 22 de julho de 2009

''Se você quer muito alguma coisa, deixe-a livre.
Se ela voltar será sua para sempre,
se ela não voltar, nunca foi sua de verdade.
A liberdade é o espaço que a felicidade precisa.''

quinta-feira, 16 de julho de 2009


Estava observando meu orkut, seriamente encontro-me viciada, antes não sabia usá-lo, não 'ligava' em aprender na verdade.. Hoje, assim que ligo o pc, o primeiro site que entro (sem ser o firefox HAHA) é o orkut o_o' Seria normal? Mesmo assim, observando encontrei (é, mesmo que estivesse o tempo inteiro lá, eu fui ver agora -.-' siausas) então, continuando... Encontrei na área pessoal o 'par perfeito' não exatamente O PAR né. HAHA, mas pra expor a preferência.. HAHA Pensei logo ' Poxa, não tem preferência só estar apaixonado que até 'cafageste' é principe, qualquer poeminha 'merreca' torna-se um 'soneto de amor total' (lembrei que havia posto o soneto). Por fim, que não é 'tão' fim assim. HAHA, expresso um desabafo:
"Alguém que faça o inesperado, que te ame de um modo controlavel, que conviva em dois mundos, o dele e o seu, respeite teus amigos e tuas decisões, que tente dar carinho todas as horas, sem aparentar desesperado, que te ligue no meio da noite com saudades, e mesmo depois das brigas, ali estaria ele na porta de sua casa só pra te dar um abraço e dizer que estar tudo bem! Que te faça sentir única, que sinta que ele é único, não precisa ser perfeito, só precisa estar apaixonado. :)"
Talvez um pouco infantil, CERTO, extremamente infantil e brega, mas faz um pouco de sentido... Tenho 18 anos, com muito orgulho ta HAHA, sinto vontade de apaixonar-me loucamente é claro, de amar concientimente, de ter alguém ao lado, na frente, atrás ê AHAHA (realmente existe comentário inrresistiveis, dito um agora HAHA)... Perdi a linha do pensamento -.-' Isso que da fazer gracinha.. suiaousius 'Vai entender...' Mas acho que sou romântica.. Já me apaixonei várias vezes, ê, téparece :D Malmente sinto amor a mim, vou sentir aos demais, mortais. êê (falei igual doida agora)... Maaaaaaaaas, porém, todavia, entretando, contudo.. EU, euzinha aqui, lerdazinha, inteligente em alguns RAROS aspectos, acredito SIM, no principe encantado, e naquele AMOR rápido :) Amor rápido? EITA, agora até eu me senti 'fácil' ISAUSIAS, enfim... O máximo de amor que eu conheço é o que eu ouso dizer que já senti, o que li nos livros de romance, nas histórias que me contam e alguns trexos de poesia alheios :) Se é parecido com isso, é claro que amo :D Posso encontrar um 'amor maior' (essa daí nem ouve um jota quest HAHA), mas isso é amanhã, hoje é o máximo de amor que me encontro ... Posso não controlar-te, muito menos aparentar-me boba e ingênua (OK, OK, nao preciso aparentar-me HAHA..) Eu acredito em tudo sim .-. idai? HAHA.. Eras, foi dificil escrever alguma coisa aqui, levei muito tempo e muito de mim, meu dedo até cansou, me senti mais mulher.. OIAOSUOISUAIS.. Mas essas palavras postadas uma ao lado da outra que formam um significado é exatamente o que penso agora.. Pode parecer confuso e até incompreensivo, mais a cabeça do ser humano não é de toda certa. :D

Deixo enfim meu beijo de boa noite para ninguém menos, que ninguém :D Porque ninguém vai ler isso mesmo :) Quem teria coragem? OIASOIISAUOIS eu que não né. (mentira que eu vou re-ler sim) IASIUAIUSUIAOSAIS

Beijos :*

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Phantom of the Opera


Le Fantôme de l'Opéra : é uma novela francesa escrita por Gaston Leroux.
A primeira versão de O fantasma da ópera' para o cinema foi em um filme mudo e em preto-e-branco, realizado em 1925

Seguiram-se outras versões igualmente populares, incluindo a da década de 40, dirigida por Arthur Lubin, e com Claude Rains no papel-título. Em 1962, o estúdio inglês Hammer produziu a sua versão, numa adaptação com enfoque mais humano e trágico do personagem. Destaque também para a versão rock-musical de 1974, dirigida por Brian De Palma e estrelada por Paul Williams, intitulada como O fantasma do paraíso. Já no teatro, há o célebre musical da Broadway escrito por Andrew Lloyd Webber, considerada a maior atração teatral de todos os tempos.

Em 2004, foi novamente encenado para o cinema, dirigido pelo renomado diretor Joel Schumacher e com Gerard Butler na pele do fantasma, Emmy Rossum como Christine e Patrick Wilson Raoul, fechando o triângulo amoroso.

"Não é apenas a introdução do filme, que por sinal é O FILME".

( Think Of Me)
''CHRISTINE:
Think of me
think of me fondly, when
we've said goodbye
remember me
once in a while, please
promise me you'll try

When you find,
that once again you long
to take your heart back,
and be free
if you ever find a moment,
spare a thought for me

We never said
our love was evergreen
or as unchanging as the sea...
but if you can still remember,
stop and think of me

Think of all the things
we've shared and seen,
don't think about the things
which might have been

Think of me
think of me waking, silent
and resigned...
imagine me, trying too hard to
put you from my mind...

Recall those days,
look back on all those times,
think of the things
we'll never do...
there will never be a day when
I won't think of you

RHOUL:
Can it be,
Can it be Christine...
Bravo!

Long ago,
It seems so long ago
How young and inocent we were
She may not remember me
But I remember her...

CHRISTINE:
flowers fade, the fruits of summer fade
they have their seasons, so do we
but, please, promise me
that sometimes
you will think of me..''

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Ambos sonetos, ambos do mesmo poeta.. Ambos diferentes, ambos necessários!


Soneto do Amor Total


Amo-te tanto, meu amor ... não cante
O humano coração com mais verdade ...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.


Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.



Vinícius de Moraes

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Às vezes as pessoas que amamos nos magoam, e nada podemos fazer
senão continuar nossa jornada com nosso coração machucado.
Às vezes nos falta esperança. Às vezes o amor nos machuca profundamente,
e vamos nos recuperando muito lentamente dessa ferida tão dolorosa.
Às vezes perdemos nossa fé, então descobrimos que precisamos acreditar,
tanto quanto precisamos respirar...é nossa razão de existir.
Às vezes estamos sem rumo, mas alguém entra em nossa vida, e se torna o nosso destino.
Às vezes estamos no meio de centenas de pessoas, e a solidão aperta nosso coração
pela falta de uma única pessoa.
Às vezes a dor nos faz chorar, nos faz sofrer, nos faz querer parar de viver,
até que algo toque nosso coração, algo simples como a beleza de um pôr do sol,
a magnitude de uma noite estrelada, a simplicidade de uma brisa batendo em nosso rosto.
É a força da natureza nos chamando para a vida.
Você descobre que as pessoas que pareciam ser sinceras e receberam sua confiança,
te traíram sem qualquer piedade.
Você entende que o que para você era amizade, para outros era apenas conveniência, oportunismo.
Você descobre que algumas pessoas nunca disseram eu te amo, e por isso nunca fizeram amor,
apenas transaram...
Descobre também que outras disseram eu te amo uma única vez.
E agora temem dizer novamente, e com razão, mas se o seu sentimento for sincero poderá
ajudá-las a reconstruir um coração quebrado.
Assim ao conhecer alguém, preste atenção no caminho que essa pessoa percorreu, são fatores
importantes: a relação com a família, as condições econômicas nas quais se desenvolveu.
(dificuldades extremas ou facilidades excessivas formam um caráter), os relacionamentos anteriores
e as razões do rompimento, seus sonhos, ideais e objetivos.
Não deixe de acreditar no amor. Mas certifique-se de estar entregando seu coração para alguém
que dê valor aos mesmos sentimentos que você dá.
Manifeste suas idéias e planos, para saber se vocês combinam. E certifique-se de que
quando estão juntos, aquele abraço vale mais que qualquer palavra.
Esteja aberto a algumas alterações, mas jamais abra mão de tudo, pois se essa pessoa
te deixar, então nada irá lhe restar.
Tenha sempre em mente que às vezes tentar salvar um relacionamento,
manter um grande amor, pode ter um preço muito alto se esse sentimento não for recíproco.
Pois em algum outro momento essa pessoa irá te deixar e seu sofrimento será ainda
mais intenso, do que teria sido no passado.
Pode ser difícil fazer algumas escolhas, mas muitas vezes isso é necessário.
Existe uma diferença muito grande entre conhecer o caminho e percorrê-lo.
A tristeza pode ser intensa, mas jamais será eterna.
A felicidade pode demorar a chegar, mas o importante é que ela venha para ficar e não
esteja apenas de passagem...


François de Bitencourt

domingo, 5 de julho de 2009

Sozinho, meu pensamento focaliza em alguém. Deixo-o livre, e de repente meu coração aperta. Mas não estou triste, pelo contrário, deixo escapar um sorriso. Comer não me parece tão importante, agora me sinto alimentado por outra coisa. Acordo sempre com os mesmos pensamentos, e os mesmos me impulsionam a ter um grande dia. Quando te vejo sinto coisas estranhas, mas boas. Quando falo com você minha cabeça pensa direito, mas minhas palavras saem embaralhadas, e minhas mãos ficam suando. Meu pensamento focaliza alguém, esse alguém é você. É, estou amando.
Bob Marley

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Romeu e Julieta - 1591 e 1595

Filme : Romeu e Julieta ( 1968/1996 ) - enfim.

PROLÓGO
CORO - Duas casas, iguais em dignidade - na formosa Verona vos dirão - reativaram antiga inimizade,
manchando mãos fraternas sangue irmão. Do fatal seio desses dois rivais um par nasceu de amantes
desditosos, que em sua sepultura o ódio dos pais depuseram, na morte venturosos. Os lances desse amor
fadado à morte e a obstinação dos pais sempre exaltados que teve fim naquela triste sorte em duas horas
vereis representados. Se emprestardes a tudo ouvido atento, supriremos as faltas a contento.

( Cena V - Ato I)
ROMEU - (a Julieta) - Se minha mão profana o relicário em remissão aceito a penitência: meu lábio,
peregrino solitário, demonstrará, com sobra, reverência.
Romeu e Julieta
JULIETA - Ofendeis vossa mão, bom peregrino, que se mostrou devota e reverente. Nas mãos dos santos
pega o paladino. Esse é o beijo mais santo e conveniente.
ROMEU - Os santos e os devotos não têm boca?
JULIETA - Sim, peregrino, só para orações.
ROMEU - Deixai, então, ó santa! que esta boca mostre o caminho certo aos corações.
JULIETA - Sem se mexer, o santo exalça o voto.

ROMEU - Então fica quietinha: eis o devoto. Em tua boca me limpo dos pecados.
(Beija-a.)
JULIETA - Que passaram, assim, para meus lábios.
ROMEU - Pecados meus? Oh! Quero-os retornados. Devolve-mos.
JULIETA - Beijais tal qual os sábios.
AMA - Vossa mãe quer falar-vos, senhorita.
ROMEU - Quem é a mãe dela?
AMA -.Ora essa, cavalheiro! A dona desta casa, certamente, uma digna senhora, honesta e sábia.
Amamentei-lhe a filha, a senhorita com que falastes. E uma coisa eu digo, com certeza: quem vier a
desposá-la, ficará cheio de ouro.
ROMEU - É Capuleto? Oh conta cara! Minha vida é dívida de hoje em diante no livro do inimigo.
BENVÓLIO - A festa já acabou; vamos embora.
ROMEU - Acabou? Para mim começa agora.
CAPULETO - Não, cavalheiros, não saiais tão cedo;ainda teremos uma ceiazinha. Mas partis mesmo? A
todos, obrigado. Muito obrigado, honesto cavalheiro. Boa noite. - Trazei-me aqui mais tochas! Sendo
assim, vou deitar-me. É certo, amigo: já está ficando tarde. Vou deitar-me.
(Saem todos, com exceção de Julieta e a ama.)
JULIETA - Ama, quem é aquele gentil-homem?
AMA - Herdeiro e filho de Tibério, o velho.
JULIETA - E aquele que ora passa pela porta?
AMA - Se não me engano, é o filho de Petrucchio.
JULIETA - E aquele que ali vai, que não dançou?
AMA - Não sei quem seja.
JULIETA - Então vai perguntar-lhe como se chama. Vai! Se for casado, um túmulo será todo o meu
fado.
AMA - Romeu é o nome dele; é um dos Montecchios, filho único do vosso grande imigo.
JULIETA - Como do amor a inimizade me arde! Desconhecido e asnado muito tarde. Como esse
monstro, o amor, brinca comigo: apaixonada ver-me do inimigo!
AMA - Como assim? Como assim?
JULIETA - Isso é uma rima que aprender fui com quem dancei há pouco.
AMA - Já vamos! Um momento! - Está na hora; já se foram os hóspedes embora.
(Saem.)

PRÓLOGO
(Entra o coro.)
CORO - Moribundo se encontra o antigo afeto, querendo o novo amor ser seu herdeiro; da beldade fatal
o externo aspecto frente a Julieta é monstro verdadeiro. Ama Romeu, sendo também amado. Cada um
nos olhos do outro acha feitiço; queixa-se ele do imigo proclamado; na mais pungente dor cria ela viço.
Sendo inimigo, acesso junto dela não obtém ele para suas juras; nem ela sabe, como, com cautela, lhe
poderá dizer palavras puras. Mas o amor, em tamanha extremidade. sabe fazer da dor felicidade.

( Cena II - Ato II)
ROMEU - Só ri das cicatrizes quem ferida nunca sofreu no corpo.
(Julieta aparece na janela.)
Mas silêncio! Que luz se escoa agora da janela? Será Julieta o sol daquele oriente? Surge, formoso sol, e
mata a lua cheia de inveja, que se mostra pálida e doente de tristeza, por ter visto que, como serva, és
mais formosa que ela. Deixa, pois, de servi-la; ela é invejosa. Somente os tolos usam sua túnica de vestal,
verde e doente; joga-a fora. Eis minha dama. Oh, sim! é o meu amor. Se ela soubesse disso! Ela fala;
contudo, não diz nada. Que importa? Com o olhar está falando. Vou responder-lhe. Não; sou muito
ousado; não se dirige a mim: duas estrelas do céu, as mais formosas, tendo tido qualquer ocupação, aos
olhos dela pediram que brilhassem nas esferas, até que elas voltassem. Que se dera se ficassem lá no alto
os olhos dela, e na sua cabeça os dois luzeiros? Suas faces nitentes deixariam corridas as estrelas, como o
dia faz com a luz das candeias, e seus olhos tamanha luz no céu espalhariam, que os pássaros, despertos,
cantariam. Vede como ela apoia o rosto à mão. Ah! se eu fosse uma luva dessa mão, para poder tocar
naquela face!
JULIETA - Ai de mim!

ROMEU - Oh, falou! Fala de novo, anjo brilhante, porque és tão glorioso para esta noite, sobre a minha
fronte, como o emissário alado das alturas ser poderia para os olhos brancos e revirados dos mortais
atônitos, que, para vê-lo, se reviram, quando montado passa nas ociosas nuvens e veleja no seio do ar
sereno.
JULIETA - Romeu, Romeu! Ah! por que és tu Romeu? Renega o pai, despoja-te do nome; ou então, se
não quiseres, jura ao menos que amor me tens, porque uma Capuleto deixarei de ser logo.
ROMEU (à parte) - Continuo ouvindo-a mais um pouco, ou lhe respondo?
JULIETA - Meu inimigo é apenas o teu nome. Continuarias sendo o que és, se acaso Montecchio tu não
fosses. Que é Montecchio? Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que pertença
ao corpo. Sê outro nome. Que há num simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação
teria igual perfume. Assim Romeu, se não tivesse o nome de Romeu, conservara a tão preciosa perfeição
que dele é sem esse título. Romeu, risca teu nome, e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira.
ROMEU - Sim, aceito tua palavra. Dá-me o nome apenas de amor, que ficarei rebatizado. De agora em
diante não serei Romeu.
JULIETA - Quem és tu que, encoberto pela noite, entras em meu segredo?
ROMEU - Por um nome não sei como dizer-te quem eu seja. Meu nome, cara santa, me é odioso, por ser
teu inimigo; se o tivesse diante de mim, escrito, o rasgaria.
JULIETA - Minhas orelhas ainda não beberam cem palavras sequer de tua boca, mas reconheço o tom.
Não és Romeu, um dos Montecchios?
ROMEU - Não, bela menina; nem um nem outro, se isso te desgosta.
JULIETA - Dize-me como entraste e porque vieste. Muito alto é o muro do jardim, difícil de escalar,
sendo o ponto a própria morte - se quem és atendermos - caso fosses encontrado por um dos meus
parentes.
ROMEU - Do amor as lestes asas me fizeram transvoar o muro, pois barreira alguma conseguirá deter do
amor o curso, tentando o amor tudo o que o amor realiza. Teus parentes, assim, não poderiam desviar-me
do propósito.
JULIETA - No caso de seres visto, poderão matar-te.
ROMEU - Ai! Em teus olhos há maior perigo do que em vinte punhais de teus parentes. Olha-me com
doçura, e é quanto basta para deixar-me à prova do ódio deles.
JULIETA - Por nada deste mundo desejara que fosses visto aqui.
ROMEU - A capa tenho da noite para deles ocultar-me. Basta que me ames, e eles que me vejam! Prefiro
ter cerceada logo a vida pelo ódio deles, a ter morte longa, faltando o teu amor.
JULIETA - Com quem tomaste informações para até aqui chegares?
ROMEU - Com o amor, que a inquirir me deu coragem;. deu-me conselhos e eu lhe emprestei olhos. Não
sou piloto; mas se te encontrasses tão longe quanto a praia mais extensa que o mar longínquo banha,
aventurara-me para obter tão preciosa mercancia.
JULIETA - Sabe-lo bem: a máscara da noite me cobre agora o rosto; do contrário, um rubor virginal me
pintaria, de pronto, as faces, pelo que me ouviste dizer neste momento. Desejara - oh! minto! -
retratar-me do que disse. Mas fora! fora com as formalidades! Amas-me? Sei que vais dizer-me "sim", e
creio no que dizes. Se o jurares, porém, talvez te mostres inconstante, pois dos perjúrios dos amantes,
dizem, Jove sorri. Ó meu gentil Romeu! Se amas, proclama-o com sinceridade; ou se pensas, acaso, que
foi fácil minha conquista, vou tornar-me ríspida, franzir o sobrecenho e dizer "não", porque me faças
novamente a corte. Se não, por nada, nada deste mundo. Belo Montecchio, é certo: estou perdida, louca
de amor; daí poder pensares que meu procedimento é assaz leviano; mas podeis crer-me, cavalheiro, que
hei de mais fiel mostrar-me do que quantas têm bastante astúcia para serem cautas. Poderia ter sido mais
prudente, preciso confessá-lo, se não fosse teres ouvido sem que eu percebesse, minha veraz paixão.
Assim, perdoa-me, não imputando à leviandade, nunca, meu abandono pronto, descoberto tão facilmente
pela noite escura.
ROMEU - Senhora, juro pela santa lua que acairela de prata as belas frondes de todas estas árvores
frutíferas...
JULIETA - Não jures pela lua, essa inconstante, que seu contorno circular altera todos os meses, porque
não pareça que teu amor, também, é assim mudável.
ROMEU - Por que devo jurar?
JULIETA - Não jures nada, ou jura, se o quiseres, por ti mesmo, por tua nobre pessoa, que é o objeto de
minha idolatria. Assim, te creio.
ROMEU - Se o amor sincero deste coração...
JULIETA - Pára! não jures; muito embora sejas toda minha alegria, não me alegra a aliança desta noite;
irrefletida foi por demais, precipitada, súbita, tal qual como o relâmpago que deixa de existir antes que
dizer possamos: Ei-lo! brilhou! Boa noite, meu querido. Que o hálito do estio amadureça este botão de
amor, porque ele possa numa flor transformar-se delicada, quando outra vez nos virmos. Até à vista; boa
noite. Possas ter a mesma calma que neste instante se me apossa da alma.
ROMEU - Vais deixar-me sair mal satisfeito?
JULIETA - Que alegria querias esta noite?
ROMEU - Trocar contigo o voto fiel de amor.
JULIETA - Antes que mo pedisses, já to dera; mas desejara ter de dá-lo ainda.
ROMEU - Desejas retirá-lo? Com que intuito, querido amor?
JULIETA - Porque, mais generosa, de novo to ofertasse. No entretanto, não quero nada, afora o que
possuo. Minha bondade é como o mar: sem fim, e tão funda quanto ele. Posso dar-te sem medida, que
muito mais me sobra: ambos são infinitos.
(A ama chama dentro.)
Ouço bulha dentro de casa. Adeus, amor! Adeus! - Ama, vou já! - Sê fiel, doce Montecchio. Espera um
momentinho; volto logo.
(Retira-se da janela.)
ROMEU - Oh! que noite abençoada! Tenho medo, de um sonho, lisonjeiro em demasia para ser
realidade.
(Julieta torna a aparecer em cima.)
JULIETA - Romeu querido, só três palavrinhas, e boa noite outra vez. Se esse amoroso pendor for sério e
honesto, amanhã cedo me envia uma palavra pelo próprio que eu te mandar: em que lugar e quando
pretendes realizar a cerimônia, que a teus pés deporei minha ventura, para seguir-te pelo mundo todo
como a senhor e esposo.
AMA (dentro) - Senhorita!
JULIETA - Já vou! Já vou! - Porém se não for puro teu pensamento, peço-te...
AMA (dentro) - Menina!
JULIETA - Já vou! Neste momento! - ... que não sigas com tuas insistências e me deixes entregue à
minha dor. Amanhã cedo te mandarei recado por um próprio.
ROMEU - Por minha alma...
JULIETA - Boa noite vezes mil.
(Retira-se.)
ROMEU - Não, má noite, sem tua luz gentil. O amor procura o amor como o estudante que para a escola
corre: num instante. Mas, ao se afastar dele, o amor parece que se transforma em colegial refece.
(Faz menção de retirar-se.)
(Julieta torna a aparecer em cima.)
JULIETA - Psiu! Romeu, psiu! Oh! quem me dera o grito do falcoeiro, porque chamar pudesse esse
nobre gavião! O cativeiro tem voz rouca; não pode falar alto, senão eu forçaria a gruta de Eco, deixando
ainda mais rouca do que a minha sua voz aérea, à força de cem vezes o nome repetir do meu Romeu.
ROMEU - Minha alma é que me chama pelo nome. Que doce som de prata faz a língua dos amantes à
noite, tal qual música langorosa que ouvido atento escuta?
JULIETA - Romeu!
ROMEU - Minha querida?
JULIETA - A que horas, cedo, devo mandar alguém para falar-te?
ROMEU - Às nove horas.
JULIETA - Sem falta. Só parece que até lá são vinte anos. Esqueci-me do que tinha a dizer.
ROMEU - Deixa que eu fique parado aqui, até que te recordes.
JULIETA - Esquecê-lo-ia, só para que sempre ficasses ai parado, recordando-me de como adoro tua
companhia.
ROMEU - E eu ficaria, para que esquecesses, deixando de lembrar-me de outra casa que não fosse esta
aqui.
JULIETA - É quase dia; desejara que já tivesses ido, não mais longe, porém, do que travessa menina
deixa o meigo passarinho, que das mãos ela solta - tal qual pobre prisioneiro na corda bem torcida - para
logo puxá-lo novamente pelo fio de seda, tão ciumenta e amorosa é de sua liberdade.
ROMEU - Quisera ser teu passarinho.
JULIETA - O mesmo, querido, eu desejara; mas de tanto te acariciar, podia, até, matar-te. Adeus;
calca-me a dor com tanto afã, que boa-noite eu diria até amanhã.
ROMEU - Que aos teus olhos o sono baixe e ao peito. Fosse eu o sono e dormisse desse jeito! Vou
procurar meu pai espiritual, para um conselho lhe pedir leal.
(Sai.)


( Cena III - Ato V)
PRÍNCIPE - Esta manhã nos trouxe paz sombria: esconde o sol, de pesadume, o rosto. Ide; falai dos fatos
deste dia; serei clemente, ou rijo, a contragosto, que há de viver de todos na memória de Romeu e Julieta
a triste história.